Saúde Mental e os estudos: a importância do autocuidado durante o ensino superior

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O cuidado em saúde mental e os estudos estão interligados por diferentes motivos, seja pela socialização ou pela aprendizagem. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde é “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença”. 

Dessa forma, é possível afirmar que há uma ligação bem próxima entre saúde mental e o ambiente educacional, já que boa parte dos vínculos sociais estabelecidos são formados nesse local para o futuro.

A aprendizagem e a saúde mental são fundamentais à existência humana plena e digna, mas é necessário colocar a saúde mental em primeiro lugar para que a aprendizagem consiga fluir mais facilmente. 

Qual é a relação entre universidade e saúde mental? 

Estudar no ensino superior proporciona uma riqueza de experiências valiosas, como o aprofundamento do conhecimento e a formação de novas conexões interpessoais, mas este período também vem acompanhado de uma carga significativa de responsabilidades, às quais o estudante pode não estar acostumado.

Segundo um estudo da Revista da Avaliação da Educação Superior (Campinas) de 2022,o desempenho acadêmico e o desenvolvimento intelectual do estudante ao longo do percurso acadêmico podem expressar o quanto o indivíduo está integrado à universidade e adaptado ao cotidiano.

A professora da Unisanta e psicóloga clínica e esportiva, Luara Maria de Freiras Lobo, explica como a universidade é um espaço de encontro entre professores e alunos com interesse no aprendizado e troca de conhecimentos. Essa é a essência desse espaço e é algo saudável. Em um local para que haja aprendizado com qualidade, a saúde mental é um fator essencial. 

“Devido ao sistema de aceleração, consumo exacerbado e produtividade, a saúde da sociedade como um todo é afetada e as universidades fazem parte desse sistema, o que influencia a saúde mental tanto de professores como de alunos também”, pontua a docente. 

Priorizar a saúde mental durante a jornada universitária é fundamental para que o aluno consiga desfrutar plenamente das experiências positivas oferecidas pelo ambiente acadêmico e assimilar os aprendizados de cada etapa do percurso educacional. 

Quais fatores pressionam os universitários?

Vários fatores exercem um impacto significativo na saúde mental dos estudantes universitários:

  • A pressão decorrente das avaliações propostas nas disciplinas, fundamentais para o processo de ensino-aprendizagem, pode levar os alunos a se exigirem em excesso.
  • As notas baixas podem ser interpretadas como um sinal de que é necessário dedicar mais tempo ao estudo de determinados conteúdos, mas, para o estudante, isso pode resultar em uma sensação de fracasso acadêmico.
  • A competitividade profissional gradualmente se integra à rotina do universitário, à medida que ele começa a criar expectativas em relação à sua carreira. Isso pode provocar comparações injustas com colegas de turma ou mesmo com profissionais estabelecidos na área.
  • O cansaço, uma vez que o compromisso com os estudos requer tempo e energia, com leituras, tarefas e avaliações a serem realizadas, além de cumprir prazos estabelecidos pelos professores.

Além disso, muitos precisam conciliar a carga horária das aulas e os momentos de estudo com uma jornada de trabalho. É vital que o estudante conheça seus limites e utilize ferramentas para proteger sua saúde mental durante a formação acadêmica desafiadora.

Como manter a saúde mental na universidade?

Apesar das pressões, é vital cuidar da saúde mental no ensino superior com medidas que promovam o autocuidado e bem-estar.

O planejamento e a organização emergem como ferramentas essenciais, permitindo ao aluno estabelecer uma rotina mais tranquila e previsível. Ao elaborar e seguir um cronograma de estudos bem estruturado, o estudante pode reservar momentos para atividades de lazer, reduzindo a sobrecarga mental. 

Além disso, compartilhar experiências com colegas promove união, mostrando que dificuldades não são únicas, e fortalece a comunidade e apoio mútuo.

A psicóloga também ressalta como a Universidade é um local onde há oportunidade de espaços de conversas e trocas entre as pessoas. A saúde mental está relacionada com acolhimento, escuta e cuidado com o próximo.

 “É importante que, dentro desse local, as pessoas estejam atentas umas com as outras: olhar, acolher e ajudar o próximo é uma excelente forma de autocuidado. Que as pessoas que frequentam esses ambientes possam olhar verdadeiramente para quem está do seu lado, se veja no outro”, conclui.

A importância do tema para a Unisanta

Para ajudar com questões relacionadas à saúde mental, a Unisanta conta com o Serviço-Escola de Psicologia “Prof. Me. Aurélio Moschin”. O serviço tem como objetivo oferecer atendimento psicológico supervisionado à comunidade, proporcionando um espaço de cuidado, compreensão e apoio emocional.

Os alunos do 9.º semestre, supervisionados por professores do curso de Psicologia, conduzem os atendimentos no Bloco C – 3.º andar. Este serviço seguirá as recomendações do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, garantindo os mais altos padrões de ética e profissionalismo.

O Serviço-Escola tem como missão principal consolidar as competências dos futuros profissionais de psicologia, enquanto presta um serviço à comunidade. Além disso, visa oferecer um campo de pesquisa em psicologia, contribuindo para o avanço do conhecimento nesta área.