Há cerca de um mês, no dia 30 de agosto, a paratleta santista Beth Gomes escrevia, mais uma vez, seu nome na história dos Jogos Paralímpicos e do esporte. Aos 56 anos de idade, Beth conquistava a medalha de ouro no lançamento de disco – classe F53 em Tóquio, além de quebrar o recorde mundial (que já era dela) e o paralímpico (13,39 metros) na modalidade, alcançando 17,62 metros em seu último lançamento.

Como é sabido, por trás de uma grande atleta existe uma grande treinadora. Essa conquista de Beth Gomes, diagnosticada com esclerose múltipla aos 27 anos, foi amplamente divulgada pelos meios de comunicação do Brasil e do mundo, mas um detalhe omitido dessa história é a ligação entre a treinadora de Beth, Rose Farias, e a Universidade Santa Cecília, instituição pela qual Rose se graduou em Educação Física e iniciou sua carreira ilustre como treinadora de atletismo paralímpico.

Rosiane Farias da Silva nasceu em Santos e correspondeu à frase do célebre poeta alemão Friedrich Schiller: “Cedo se exercita quem quer se tornar um mestre”. Rose sempre foi apaixonada por exercícios físicos e foi atleta de alto rendimento na modalidade Atletismo. “Escolhi a Unisanta porque meu treinador era professor da instituição na época, o prof. Roberto Dick, e por se tratar de uma universidade diferenciada com professores renomados no cenário nacional e internacional”, destacou ela.

A treinadora de atletismo paralímpico se formou na Unisanta em 2007 e guarda boas lembranças de seus tempos de faculdade. “Fui muito feliz com a escolha que fiz, sou grata a cada professor que tive oportunidade de conhecer. Destaco meu treinador, prof. Roberto Dick, e o prof. Marquinhos, que na época lecionava Cinesiologia. Depois tive a oportunidade de estar em algumas missões com ele (Marquinhos) na Seleção Brasileira de Atletismo Paralímpico”, comentou Rose.

A carreira profissional de Rose teve início um ano depois de se formar na Fefesp, em 2008, quando ela assumiu um cargo de treinadora na pista de atletismo municipal de Praia Grande, local onde também iniciou sua trajetória no atletismo paralímpico. “Fui me adaptando e estudando para poder exercer esse ofício, que tem muitas particularidades, até porque existem muitas classes funcionais na modalidade e temos sempre que estar nos aperfeiçoando na área para poder desenvolver um trabalho de excelência”, definiu a ex-aluna da Unisanta.

Já em 2012, Rose Farias se tornou treinadora na equipe santista de paratletismo Fast Wheels, onde seu trabalho com Beth Gomes alcançou projeção internacional. Em 2019, ano em que Beth foi eleita a melhor paratleta feminina do Brasil, Rose foi convocada pela primeira vez para a equipe da Seleção Brasileira de Paratletismo.

Entre os eventos esportivos marcantes na trajetória de Rose Farias estão: a Parapan 2015 (em Toronto), o Mundial 2015 (no Catar), o Mundial 2017 (em Londres), a Parapan 2019 (no Peru), o Mundial 2019 (em Dubai) e agora os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020+1, onde Beth Gomes foi eleita atleta destaque.

Mesmo com um currículo impressionante, Rosiane Farias da Silva que, além de treinadora, é professora concursada nos municípios de Praia Grande e Mongaguá, não se define como uma especialista no atletismo paralímpico. “Ainda me considero iniciante e com muitas coisas para aprender dentro da profissão. Como professora, venho desenvolvendo meu trabalho dentro das salas de aulas e, como treinadora, vou continuar trabalhando e formando novos atletas e cidadãos de bem para a sociedade”, destacou a ex-aluna da Unisanta.

Por fim, Rosiane Farias da Silva deixou um recado aos atuais alunos da Fefesp que desejam ingressar profissionalmente no ramo do esporte: “Falo para não desistirem, porque somente no caminho é que irão encontrar pessoas para ajudar e, quem sabe, concretizar seus objetivos. Mas, se não começarem mesmo com as dificuldades de apoio que existe na área, as chances dificilmente chegarão para eles”.