Brasileira tem prova perfeita, impõe ritmo e se consolida como maior da história das Águas Abertas

Ana Marcela Cunha é campeã olímpica. Nesta quarta-feira (4), no horário japonês, terça-feira (3), no horário brasileiro, a nadadora brasileira conquistou a medalha que faltava na sua vitoriosa carreira. Esta foi a terceira medalha dos esportes aquáticos nos Jogos Olímpicos de Tóquio. A prova foi realizada na arena Odabaia Marine Park.

Ana Marcela esteve sempre no pelotão principal. Nas duas primeiras voltas, passou em segundo e em terceiro, respectivamente. A americana Ashley Twichell liderou no início no circuito. Na metade da prova, Ana Marcela liderou o pelotão com três segundos de distância para a americana.

Da metade final para a prova, as adversárias começaram a crescer e chegaram para a disputa ao lado da brasileira. Ana Marcela completou a penúltima volta na segunda colocação. Na última volta, não teve para ninguém. Controlou o pelotão, disparou no final e conquistou a primeira medalha olímpica de ouro da Maratona Aquática brasileira.

“Ainda não caiu muito a ficha. Só de ser medalhista já seria muito bom. Vai demorar um pouco para eu entender o quão grande é, mas era meu sonho e, de certa forma, a gente se prepara para isso”, disse.

Esta é a terceira edição de Jogos Olímpicos de Ana Marcela. Em Pequim, ainda muito jovem, terminou na 5ª colocação. Na Rio 2016, terminou com o 10º lugar. Em Tóquio, veio a consagração olímpica de uma carreira brilhante de uma das maiores atletas de Maratonas Aquáticas da história.

“Hoje posso dizer que foi a prova perfeita. Tem dias que a gente sente que pode ser melhor em alguma coisa. Vou rever a minha prova, mas se o Fernando (Possenti) disse que foi bom, é porque realmente foi bom”, completou Ana Marcela.

Para o pró-reitor da Unisanta, Marcelo Teixeira, Ana Marcela foi muito dedicada, foi questionada até do seu talento, da sua qualidade mas persistiu e é referência para a natação brasileira. “Ela deu a volta por cima. Esperávamos quatro anos, foi o quinto, foi mais um ano de provas para nós, mas ela merece. A família, o George e Ana Patrícia, vieram muito cedo para Santos. Era para vir só a Ana Marcela e nós falamos “não, eu quero o pai, quero a mãe também”.

Marcelo acrescenta ainda que essa medalha ficará na história. “Hoje ela tem a orientação do fantástico técnico Possenti, mas queria fazer uma referência também ao Marcio Latuf, a toda a nossa comissão multidisciplinar, a comissão multidisciplinar da Seleção Brasileira”.

E finaliza, ‘festejamos hoje, com muita emoção, foi teste para cardíaco. Desde a largada e passa e volta e ela sempre no pelotão da frente, mas agora vamos fazer a festa de casa né, recebendo a nossa rainha, a rainha do mar chegará em casa”.

Próximos passos – Ainda com 29 anos, Ana Marcela já foca no próximo objetivo: ser campeã Mundial dos 10 km – título que ainda lhe falta. “Por que não já colocar um próximo objetivo? É um título que me falta e tenho desejo de conquistar. A prova será aqui no Japão também, será seletiva para Paris 2024, então já podemos começar a pensar lá”, finalizou.

TEXTO: CBDA
Foto: Satiro Sodré/CBDA