Trabalhos desenvolvidos na instituição foram apresentados no Brasil e no exterior.

O Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas da Universidade Santa Cecília (NPH-Unisanta) está, mais uma vez, presente nos principais congressos nacionais e internacionais da área de oceanografia, divulgando soluções para o monitoramento e a previsão de eventos extremos na zona costeira.

Entre os dias 24 e 28 de novembro de 2025, o engenheiro e mestre Matheus Souza Ruiz apresentou o artigo “Operational modeling of storm tides to support coastal flood warnings in Baixada Santista and the Estuarine System of Santos, São Vicente and Bertioga (SP, Brazil)” durante o 3º Latin American Physics of Estuaries and Coastal Oceans (LAPECO), realizado em Puerto Varas, no Chile.

No congresso, considerado um dos principais da área na América Latina, o pesquisador demonstrou um modelo numérico hidrodinâmico, desenvolvido pela equipe do NPH, focado no aprimoramento das previsões de nível do mar em toda a Baixada Santista e no estuário de Santos, São Vicente e Bertioga.

Baseado no sistema de modelagem Delft3D-FLOW, o modelo utiliza grades de altíssima resolução e conta com a automatização do fluxo de trabalho, incorporando inovações tecnológicas para otimizar o processamento e aprimorar as previsões.

“Esse processamento abrange desde o download automático das condições de contorno (modelos globais e forçantes) até a execução do modelo numérico hidrodinâmico e o pós-processamento dos resultados”, explica Matheus.

Na prática, o modelo simula o comportamento do nível do mar e das correntes ao resolver as equações da física para o oceano, considerando fatores como maré, vento, pressão atmosférica e descarga dos rios, para permitir uma representação detalhada da dinâmica costeira e estuarina.

“O sistema processa essas informações utilizando equações físicas para calcular o comportamento da água. O grande diferencial é a combinação de grades em alta resolução com uma batimetria (mapa de profundidade) extremamente detalhada”, ressalta o pesquisador.

Segundo o pesquisador, o projeto surgiu da necessidade de aprimorar as previsões que vinham sendo realizadas desde 2016 no estuário de Santos, ampliando a área de cobertura para toda a Baixada Santista.

“A base do novo modelo foi desenvolvida durante o meu mestrado no Instituto Oceanográfico, mas passou por ajustes e melhorias em 2023. Foi nesse momento que a equipe do NPH-Unisanta operacionalizou o sistema, que agora é um modelo numérico tridimensional abrangendo toda a região”, afirma.

Os resultados da pesquisa trazem benefícios diretos à população. De acordo com Matheus, o sistema contribui para a emissão de alertas precoces de inundações costeiras e ressacas.
“Ao fornecer previsões confiáveis com antecedência, permitimos que as Defesas Civis planejem ações preventivas com maior eficácia, minimizando danos materiais e protegendo vidas em áreas vulneráveis”, afirma.

O modelo também contribui para a segurança da navegação e para a logística do Porto de Santos, além de subsidiar ações de gestão ambiental e estratégias de adaptação às mudanças climáticas. Na esfera municipal, os dados são fundamentais para o planejamento urbano, servindo de subsídio para planos de drenagem e para a operação técnica de comportas nos sistemas de águas pluviais.

Atualmente, o sistema de modelagem é processado operacionalmente pelo NPH-Unisanta e utilizado pelos municípios da região, estando integrado à Sala de Situação da Baixada Santista.

O portal oferece ainda informações complementares de previsão de ondas e de chuva, dados de precipitação em tempo real e radar meteorológico, que são usados oficialmente pelas Defesas Civis da região e podem ser acessados neste link.

 

Simpósio da Marinha do Brasil

Outro estudo desenvolvido pelo NPH – Unisanta foi apresentado pela pesquisadora e mestre Regina de Souza Ferreira durante o XVI Simpósio sobre Ondas, Marés, Engenharia Oceânica e Oceanografia por Satélite (OMARSAT), organizado pelo Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), da Marinha do Brasil. O evento ocorreu entre os dias 24 e 27 de novembro, em Cabo Frio (RJ).

A pesquisa demonstrou que previsões meteoceanográficas operacionais foram capazes de antecipar, com quatro dias de antecedência, os impactos de um evento extremo de ressaca que atingiu a Baixada Santista em 29 de julho de 2025. O trabalho evidenciou alta concordância entre dados previstos e observados pelo núcleo.

Regina apresentou o artigo “Previsão meteoceanográfica operacional como ferramenta de apoio à proteção e gestão costeira na Baixada Santista-SP: estudo de caso do evento extremo de 29 de julho de 2025”, durante a sessão de Palestras Acadêmicas do simpósio. O estudo será publicado nos anais do congresso como resumo expandido.

O estudo analisou a atuação da Sala de Situação da Baixada Santista (SS-BS) durante o evento extremo, avaliando o desempenho dos modelos numéricos do NPH. Sensores registraram ondas de até 3,98 metros na Baía de Santos, enquanto o modelo IARA previu cerca de 3,6 metros.

Em relação ao nível do mar, foi observada uma maré meteorológica amplificada pelos ventos locais, com cerca de 70cm acima da maré astronômica prevista. O pico atingiu 1,96 metro na orla e 2,12 metros no interior do estuário. Apesar de uma pequena antecipação temporal em relação ao previsto, a evolução do fenômeno foi reproduzida com alta fidelidade, apresentando correlação de 98% e erro médio absoluto de apenas 0,8 centímetro.

Segundo a pesquisadora, as previsões permitiram a emissão antecipada de um Boletim Informativo Extraordinário direcionado às Defesas Civis, gestores municipais, mídias locais e demais parceiros, além do envio automático de avisos aos usuários cadastrados na plataforma.

Além da apresentação do estudo, Regina também atuou como chair de uma das sessões do simpósio, conduzindo palestrantes e mediando o debate com o público, a convite da Comissão Organizadora do evento. A sessão trabalhos técnicos, além de palestras convidadas ministradas pelos professores Dr. Paulo Polito (IOUSP) e Dr. Fábio Nascimento (UFRJ).

“Foi uma experiência muito gratificante. A sessão que mediei contou com nove apresentações de trabalhos submetidos, abordando aplicações de sensoriamento remoto, modelagem e tecnologias voltadas à oceanografia operacional e às operações marítimas, incluindo temas como inteligência artificial aplicada à resposta a derramamentos de óleo, dinâmica de ondas internas e robótica aérea-subaquática”, relata.

Em sua primeira participação no OMARSAT, a pesquisadora avaliou a experiência como altamente positiva. O simpósio, realizado bienalmente e em sua 16ª edição, é considerado um dos principais fóruns nacionais da área, reunindo estudantes, pesquisadores, profissionais experientes, representantes da Marinha, da academia e do setor privado.

“Durante o simpósio, pude reencontrar colegas de profissão, conversar com pesquisadores e professores que eu só conhecia por artigos ou palestras on-line e acompanhar as novidades tecnológicas apresentadas pelas empresas participantes”, relembra Regina, que também teve a oportunidade de encontrar-se presencialmente com a equipe da ATMOSMARINE, empresa parceira do NPH no projeto da Sala de Situação da Baixada Santista.

Para a pesquisadora, a participação no evento reforçou a visibilidade do NPH-Unisanta e demonstrou “a qualidade das pesquisas realizadas na Unisanta e o engajamento do grupo em temas relevantes para a oceanografia operacional”, finaliza.