Redes de pescadores do estado de São Paulo já capturaram algumas vezes tubarões recém-nascidos dessa espécie agressiva, mas raramente desse porte, com 2,2 metros de comprimento, considerado juvenil. Não há motivo de preocupação para os banhistas, segundo o biólogo Matheus Rotundo, pois essas ocorrências são muito raras e a região possui abundância de alimento.

No dia 30 de junho último, por volta das 12 horas, o pescador e biólogo Marcio Silvestre Cadenazzi de Matos, associado ao Projeto Pró-pesca: pescando o conhecimento, do Acervo Zoológico da Universidade Santa Cecília (AZUSC-Unisanta), capturou um exemplar macho de tubarão-tigre com 2,2 metros de comprimento e aproximadamente 100 quilos, a 300 metros da praia de Toque-Toque Pequeno, no município de São Sebastião, estado de São Paulo. Apenas duas ocorrências de captura dessa espécie eram conhecidas até hoje nesse local, uma no começo da década de 80, outra na década de 90.

“Embora o exemplar encontrado dia 30 apresente grande porte quando comparado com outras espécies capturadas na região, trata-se de um animal juvenil, pois a espécie pode alcançar até 7,5 metros e pouco mais de 3 (três toneladas)”, informou o biólogo Matheus Rotundo, coordenador do AZUSC da Universidade Santa Cecília.

O tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) é considerado uma das espécies mais agressivas dentre os tubarões existentes no mundo, com diversos registros de ataques a seres humanos, explica Rotundo. “Alimenta-se de um amplo espectro de animais, dentre eles, peixes (inclusive outros tubarões), raias, tartarugas, aves e mamíferos marinhos, além de crustáceos, lulas, animais mortos e lixo, incluindo latas e pedaços de metal. Embora possua distribuição circunglobal em mares tropicais e temperados, também podem ser encontrados em rios estuarinos”.

A espécie não faz parte de nenhuma categoria da lista de peixes brasileiros ameaçados de extinção. Na lista do Estado de São Paulo é considerada uma espécie com poucas informações para avaliar seu status de conservação. “Assim, este exemplar será de grande auxílio para o conhecimento da espécie no estado e no País. No AZUSC, o exemplar será mensurado, verificado seu conteúdo estomacal e retiradas amostras de tecido para estudos citogenéticos (relativos a DNA). Posteriormente às analises, será tombado na Coleção Científica Regional de Peixes da Costa da Mata Atlântica, pertencente à mesma instituição.

COLEÇÃO VALIOSA

O Laboratório de Pesquisas Biológicas do Acervo Zoológico da Unisanta, fundado em 2003, tem como principais linhas de pesquisa a diversidade ictiológica marinha e estuarina, além de seus aspectos biológicos, ecológicos e pesqueiros. Abriga a Coleção Científica Regional de Peixes da Região da Costa da Mata Atlântica, iniciada em 1998 e integra o Banco de Dados Interinstitucionais de Biodiversidade de Peixes da Região Neotropical (Neodat III), sistema de nível mundial, envolvendo institutos selecionados na Europa e nas Américas, e o Sistema Brasileiro de Informações sobre a Biodiversidade de Peixes (SIBIP). É considerada uma das maiores coleções particulares do País, possuindo exemplares raros dos principais projetos desenvolvidos no Brasil. A Coleção registra mais de 4.500 lotes de aproximadamente 550 espécies, totalizando 17.000 exemplares.

O Pró-Pesca-Pescando o Conhecimento é realizado em parceria com pescadores da região.

Informações: Matheus Rotundo – mmrotundo@hotmail.com ou pelo telefone (13) 3202-7100, ramal 215

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