Lafes e Clínica de Nutrição da Unisanta avaliam atletas da Portuguesa Santista

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A parceria estuda o desempenho esportivo e o bem-estar dos jogadores do clube.

Atletas das categorias de base do sub-11 ao 14 da Associação Atlética Portuguesa (Portuguesa Santista), de Santos, ganharam um reforço fora das quatro linhas: ciência e cuidado com a saúde. Em uma parceria voltada ao desempenho esportivo e bem-estar, o Laboratório de Fisiologia do Exercício e Saúde (Lafes) e a Clínica de Nutrição da Universidade Santa Cecília (Unisanta) realizaram uma avaliação completa dos jovens jogadores.

O primeiro de quatro encontros que envolverão cerca de 71 atletas aconteceu na última sexta-feira (6), onde foram analisados os indicadores físicos, fisiológicos e nutricionais que podem fazer a diferença tanto na carreira esportiva quanto no desenvolvimento pessoal de cada um.

Segundo o professor Alexandre Galvão, responsável pelo laboratório e docente do curso de Educação Física (Fefesp), o objetivo é acompanhar os atletas durante a formação e a fase de competição. “Nós precisamos das avaliações, então eles vão fazer salto, antropometria e peso. Depois, vão para a clínica de nutrição, que é uma parceria interdisciplinar”, explica o docente.

Com as informações em mãos, é possível identificar variáveis que precisam ser corrigidas, entre elas, a alimentação. “A gente fez essa parceria com o Lafes para que possamos propor uma reeducação alimentar. Como são crianças em desenvolvimento, a gente tem como interesse melhorar a alimentação deles e, se for necessário, também fazer um planejamento individualizado para cada um”, ressalta Angela Ilha, coordenadora do curso de Nutrição e responsável pela clínica.

Os atletas passarão por uma bateria completa de avaliações, incluindo testes de capacidade cardiorrespiratória, força, potência, resistência, acompanhamento nutricional e avaliação das dimensões físicas do corpo humano para análise de composição corporal.

“Essa avaliação é muito importante para acompanhar e saber se, primeiro, estão dentro dos parâmetros esperados para a idade. E, segundo, para ver se eles têm diferenças entre os membros. Se, de repente, a posição que eles jogam afeta, de alguma forma, essa dinâmica de desenvolvimento muscular e flexibilidade”, explica Débora Rocco, pesquisadora do Lafes e docente dos cursos de Psicologia, Nutrição e Educação Física da Unisanta.

Além disso, na área nutricional, os jogadores terão um acompanhamento que irá orientá-los sobre alimentação adequada e hidratação, especialmente considerando que muitos conciliam o futebol com outras atividades físicas.

Segundo Angela, eles têm uma demanda de gasto energético e proteico muito importante e, na fase da adolescência, podem ter restrições, como a falta de frutas e verduras, além da deficiência de nutrientes que pode impactar o desenvolvimento, o crescimento e o rendimento. “Vamos mostrar o quanto precisam consumir e ingerir de água por dia para não ficarem desidratados, já que, além do futebol, muitos ainda fazem musculação ou futsal”, ressalta.

Para Givanildo Albino da Silva, da coordenação da empresa DNA Carreiras, parceira do time, a ação amplia os cuidados corretos que muitas famílias ainda não conhecem ou têm acesso. “Para a carreira deles hoje, é de suma importância em todos os aspectos. A maioria dos pais e dos atletas não têm essa noção. E eu acredito que essa junção será muito importante para eles, tanto para agora como para o futuro profissional. A gente viu a carência física, a carência nutricional e fizemos essa parceria”, conta.

O jogador Luan Miguel Gonçalves Souza, de 12 anos, diz que a avaliação foi uma vivência nova e importante na preparação para as competições. “Estou adorando essa experiência que eu nunca tive na vida. Como jogador, eu estou achando isso muito bom, porque a competição é de alto nível, eu vou jogar contra times grandes e espero que me destaque”.

Segundo ele, o processo também ajuda a entender melhor o próprio condicionamento físico e a evoluir dentro de campo. “Isso pode me ajudar em tudo para eu poder melhorar na parte técnica”, expõe.

Parceria e formação profissional – De acordo com o professor Alexandre, a iniciativa segue a tradição do Lafes em estabelecer parcerias e levar para a comunidade o conhecimento produzido na universidade, além de contribuir para a formação prática dos estudantes de Educação Física.

O docente lembra que o laboratório já realizou avaliações para diferentes instituições, como o 6° Grupamento de Bombeiros da Baixada Santista e, em outra oportunidade, para a própria Portuguesa Santista, e que as análises ajudam a definir estratégias para melhorar o desempenho dos atletas.

“Eles estavam precisando fazer essas avaliações para poder estratificar e, com isso, buscar o melhor caminho para a performance. E aí, como o nosso laboratório é ensino, pesquisa e extensão, o que pesquisamos aqui levamos para a comunidade”, explica.

Alexandre acrescenta que, além de beneficiar os atletas, a parceria permite que os alunos aliem a teoria com a prática. “Isso também ajuda os futuros profissionais de educação física que praticam com a gente. Corrigimos algo que tiver saído do caminho, justamente para que, quando eles forem para fora, já saberem trabalhar com a questão da alta performance”, finaliza.