TEP-Unisanta realiza Ciclo de Leituras “Beatriz Rota-Rossi” na próxima quarta-feira (12/4)

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Neste próximo dia 12 de abril, a artista Beatriz Rota-Rossi será homenageada através do lançamento do Ciclo de Leituras que leva o seu nome, uma iniciativa do grupo Teatro Experimental de Pesquisas (TEP), que conduzirá o cerimonial através da leitura dramática realizada por seu atual elenco, dirigida por Gilson de Melo Barros e especialmente preparada para a ocasião, abordando um dos contos da artista, o inédito O Baú de Candoca.

Como os demais contos de Beatriz, sempre em tonalidades poéticas e memorialistas, com profundo acento nas questões sociais, O Baú de Candoca aborda, num entrelaçado de reflexões, a existência de personagens reais que nos habitam em atualidades, com citações que instigam o reconhecimento de suas importâncias e singularidades.

Desde o final dos anos 70, Beatriz se tornou assídua colaboradora do TEP onde, além de ter trabalhado como atriz, atuou e também como consultora e orientadora para ações a serem por estas ou quem desenvolvidas, em que se inserem vários de seus textos cujas encenações alcançaram significativo sucesso.

O Ciclo de Leituras, que leva o seu nome em e que aborda em leitura dramatizada para o teatro textos de sua autoria, tem início neste abril com a apresentação realizada pelo TEP, do O Baú de Candoca, a se realizar, a partir das 19h30, no Consistório da Universidade Santa Cecília, onde Beatriz lecionou grande parte da sua carreira, contando com a presença de familiares, ex-alunos, professores, amigos, convidados e público em geral.

A leitura dramática de O Baú de Candoca faz parte do processo de montagem do espetáculo que leva o mesmo nome e conta com música especialmente composta para este trabalho por Julinho Bittencourt. Tem, na composição do seu elenco, os atores Cesar Magalhães, Cícero Pinto, Edelvira Azevedo, Fabiano Santos, Letícia Freitas, Lilian Rocha, Livia

Mendes, Mariana Gomes, Pedro Paulo Zupo, Roque Correia e Victória Paixão, cuja faixa etária destes participantes varia entre 16 e 74 anos, uma das características do grupo. Completam a ficha técnica Tales Ordakji, que responde como produtor artístico do grupo, e Pedro Paulo Zupo, acumulando a função de produtor executivo.

Local: Consistório – UNISANTA
Rua Oswaldo Cruz, 277 – Térreo

Sobre a autora: Beatriz Rota-Rossi, mestra de mestres, 48 anos em salas de aula, interrompidos somente com sua aposentadoria, em 2021, é uma das mais queridas e atuantes artistas da região, com extensa obra pictórica e tridimensional, cuja temática de abordagem e representação atravessou décadas a defender valores essenciais das relações humanas, em que a justiça social sempre figurou como válvula motriz para suas abordagens artísticas.

Portenha de nascimento e santista de coração e opção, veio para o Brasil ainda jovem, em 1969, exatamente para Santos, onde se instalou e acabou inserida num círculo de relacionamentos no qual expoentes notáveis do nosso mundo artístico figuravam em destaque, como Mário Gruber, Plínio Marcos, Luiz Hamen e Alex Vallauri, seu primo, introdutor do grafite no Brasil, sobre o qual, mais tarde, Beatriz desenvolveria sua biografia, uma das suas obras editadas, nas quais despontam livros de contos, ensaios e estudos específicos de arte.

No início dos 70, foi com Plínio, Luiz Hamen e Alex que Beatriz desenvolveu uma série de atividades de registros e pesquisas realizadas no cais do porto santista, no conhecido circuito dos prostíbulos, que culminaram numa de suas mais notáveis exposições, exatamente numa das “casas de atendimento”, tendo como seus convidados pessoas notáveis da cidade, marinheiros desembarcados e as próprias modelos, a quem as obras foram dedicadas – as trabalhadoras do Lupanar.

Outra exposição marcante, organizada por Beatriz, foi uma amostragem de trabalhos realizados por presidiários da cadeia pública de Santos, onde ela, Luiz Hamen e Nélia Silva ministraram aulas de arte durante dois anos – uma forma de resistência e militância política desenvolvida durante o período de intervenção militar na cidade.

Nesse período, desponta também como frequentadora assídua do Clube de Cinema que, com o tempo, viria a ser capitaneado pelo saudoso Maurice Lègeard, responsável por uma série de ações que convergiriam ao gosto santista pelo Cinema de Arte, direta inspiração para os atuais cineclubes e salas especializadas no gênero.

É acolhida pelo CCBEU, onde monta seu primeiro atelier, transferido posteriormente para a Aliança Francesa, onde permanece por bom tempo, até montar seu próprio espaço, onde desenvolve, além do desenho, sua veia mais exposta, a arte da xilogravura, uma de suas primeiras manifestações de destaque, recebendo por estes trabalhos críticas de excelência, entre as quais as exaltações proferidas pelo jornalista e crítico de arte Geraldo Ferraz. Dedica-se também à cerâmica e à pintura, especialmente em aquarela, o que a levou até a China para aprimoramento de conhecimentos sobre esta técnica.

Na década de 80, com a carreira artística já consolidada, formada em História pela Universidade Católica de Santos, torna-se professora universitária, atividade que acumula a sua vida pública e a exerce até a aposentadoria, deixando formada toda uma geração de artistas e professores de arte que reverberam os conhecimentos desenvolvidos junto à mestra.

Ocupou com destaque, no período em que Telma de Souza foi prefeita da cidade, a chefia do Departamento de Cultura da Secretaria de Cultura de Santos, sendo responsável pelo desenvolvimento de uma série de projetos culturais voltados à população em geral.