Uma verdadeira aula sobre uma personagem marcante da história de nosso País aconteceu na manhã desta terça-feira (15). No Auditório do Bloco E da Unisanta, os alunos do Ensino Médio do Colégio Santa Cecília puderam conhecer um pouco mais sobre Patrícia Galvão, a Pagu, através dos relatos da professora Lúcia Teixeira, principal biógrafa da musa do modernismo do Movimento Antropofágico.
Com o tema Pagu e o Modernismo, a atividade teve como objetivo mostrar aos estudantes a importante colaboração de Patrícia Galvão, Pagu (1910-1962), no cenário de renovação cultural no Brasil.
A palestra integra o Projeto Unisanta SAT22, que promove atividades em comemoração ao Centenário da Semana da Arte Moderna. Participaram cerca de 300 alunos da 2.ª e 3.ª séries do Ensino Médio, além de professores de Literatura e História.
Lúcia, que é presidente do Complexo Educacional Santa Cecília, escreveu a trilogia Pagu, que inclui as obras “Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão”, esta em coautoria com o jornalista Geraldo Galvão Ferraz, filho de Pagu (falecido em 10 de fevereiro de 2013), “Pagu – Livre na Imaginação, no Espaço e no Tempo” e “Croquis de Pagu”.
Quer saber mais sobre Pagu, confira o texto de Lúcia Teixeira:
PAGU, sonhos necessários
por Lúcia Teixeira*
Patrícia Rehder Galvão – Pagu, viveu de 1910 a 1962. Jornalista, mulher precursora, musa modernista do Movimento Antropofágico, militante política, incentivadora cultural, é moderna e pós-moderna em sua obra e vida, à frente de seu tempo. Suas colunas de jornal trataram de cultura, política, arte, literatura, teatro, divulgando autores desconhecidos no Brasil e alguns no restante do mundo. Em suas críticas sobre o cotidiano social e no que trouxe ao público brasileiro de autores estrangeiros, foi visionária, com olhar sensível, antecipatório.
Sempre sonhou entregar-se totalmente, até a aniquilação: ao amor, a uma causa, à vida e até à própria morte. Desde a infância, sonhava com o movimento, o conhecer, o “ir bem alto”, na busca de expressar sua ampla capacidade de amar.
Estreia com desenhos em 1929 nas páginas da Revista da Antropofagia. Consistia em crítica radical à acomodação modernista e à civilização ocidental.
Participa ativamente da luta ideológica. Foi a primeira mulher presa no Brasil, em Santos, em 1931. Havia, enfim, encontrado uma razão para viver. E para morrer. A entrega total. Militou em Santos, no Rio e em São Paulo.
A política esteve presente também em parte da produção literária e jornalística de Pagu, como no jornal Vanguarda Socialista. No tablóide O Homem do Povo, já questionava a atuação das mulheres na sociedade, por meio de histórias em quadrinhos e na coluna Mulher do Povo. No livro Parque Industrial, denuncia as mazelas e hipocrisias da sociedade, defendendo, sobretudo, as mulheres, exploradas por sua condição de gênero social ou como trabalhadoras. No romance A Famosa Revista, escrito 12 anos depois, a crítica é contra o partido que destrói valores éticos. Dedica-se ao jornalismo da melhor qualidade.
Em Santos, Patrícia faz campanha pela construção do Teatro Municipal, conseguindo seu intento; incentiva a formação de grupos amadores e de teatro de vanguarda. Em Santos, participa da fundação da Associação dos Jornalistas Profissionais e da União do Teatro Amador.
Talvez, para muitos, a vida de Patrícia e suas buscas pareçam fora de moda, já que a sociedade acredita ser possível viver sem qualquer dor, com a ditadura do imperativo do gozo, individualista e hedonista. Nunca foram tão necessários seus sonhos de mundos imaginados que nos abrem caminhos, nos movem, dando razões para desejar e buscar realidades melhores que as atuais.