Utilização de eletrodos no tratamento de bexiga neurogênica é tema de trabalho inédito da Fisioterapia Unisanta

375

Crianças com bexiga neurogênica não têm controle sobre a urina, o que pode causar desde infecções urinárias até a deterioração renal. A pesquisa da estudante mostrou que a estimulação elétrica indolor pode ajudar.

A utilização de eletrodos para auxiliar no tratamento de crianças com bexiga neurogênica, que provoca micção involuntária,  foi um dos temas dos trabalhos apresentados durante o IX Congresso Brasileiro de Iniciação Científica (Cobric), promovido pela Universidade Santa Cecília (Unisanta), nos dias 26 e 27/10. Bexiga neurogênica é a perda da função normal do órgão provocada por lesão de uma parte do sistema nervoso.

De acordo com o estudo, crianças com mielomeningocele (MMC) nascem com uma malformação congênita na coluna, que acaba acarretando a exteriorização da medula ao nascimento. Além do distúrbio sensório motor, a criança possui uma disfunção de bexiga e intestino, que pode causar desde infecções urinárias até deterioração renal. Com uma proposta inovadora, a aluna do 5º ano de Fisioterapia da Unisanta, Ariane de Moraes dos Santos, realizou um estudo multidisciplinar inédito na região, que utiliza a estimulação elétrica indolor para ajudar as crianças a identificar a vontade de fazer xixi.

Para a avaliação foram realizadas 15 sessões, três vezes por semana, durante 15 minutos, em quatro crianças de três a nove anos, na Clínica de Fisioterapia da Unisanta. O estudo foi reproduzido com base em uma pesquisa realizada em Israel. Nada sobre o assunto foi encontrado na literatura nacional.

De acordo com a aluna, “ao final das sessões verificou-se a diminuição no número de fraldas utilizadas por dia e houve o relato de surgimento da sensibilidade do desejo miccional, característica não apresentada anteriormente”.

“A bexiga neurogênica faz com que a criança tenha infecções urinárias de repetição. Esse trabalho de estimulação elétrica faz com que os nervos remanescentes voltem a produzir um pouco mais de continência urinária e extravase a urina represada”, explica uma das orientadoras do trabalho, a Profª. Vivian Vargas de Moraes Martins.

Para crianças com MMC, foi seguido o tratamento farmacológico com uso de anticolinérgicos, que podem trazer muitos efeitos colaterais. Por conta disso, tem se buscado novas técnicas de tratamento conservador, como é o caso da estimulação elétrica funcional, que tem mostrado bons resultados em estudos recentes.

O trabalho contou ainda com a orientação da docente de Fisioterapia da Unisanta, Profª. Claudia de Oliveira, e a colaboração da nefrologista, Drª. Valéria Palmieri. Cláudia explica que eles pretendem continuar o trabalho em conjunto e avaliar a possibilidade da diminuição da medicação e dos efeitos colaterais que eles trazem, como boca seca e dor de barriga. “Pretendemos avaliar outras variáveis que interferem na qualidade de vida da criança e dos pais. Atendendo a criança com o olhar da Fisioterapia e da Nefropediatra, dando esse suporte”, diz a docente.