A professora Patrícia Gorisch, docente da graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado da Universidade Santa Cecília (Unisanta), participou, nos dias 4 e 5/3, de uma missão internacional em Luanda (Angola) para capacitar mulheres sobre direitos humanos e igualdade de gênero no ambiente de trabalho.
O treinamento foi realizado a convite da organização internacional Plurália, em parceria com a empresa de engenharia Carmon. A iniciativa reuniu 20 mulheres líderes de diferentes áreas da empresa, desde cargos administrativos e financeiros até trabalhadoras que atuam diretamente na execução das obras.
Durante dois dias de atividades, a docente dos cursos de Direito, Relações Internacionais, Psicologia, além do Mestrado em Direito da Saúde e Doutorado em Ciência e Tecnologia Ambiental, abordou temas relacionados aos direitos das mulheres previstos em tratados internacionais, especialmente aqueles assumidos pelos países junto à Organização das Nações Unidas (ONU). Como a empresa presta serviços ao governo angolano e a outros países africanos, a formação também destacou a importância de alinhar práticas institucionais aos compromissos internacionais de proteção aos direitos humanos.
No primeiro dia, o foco foi a violência doméstica e seus impactos na vida das mulheres. O tema foi tratado considerando os desafios culturais presentes em diferentes contextos sociais. Já no segundo dia, o treinamento concentrou-se nas relações no ambiente de trabalho, abordando prevenção de abusos, proteção de direitos e conscientização sobre limites e respeito.
“Falamos sobre como as mulheres podem se proteger, conhecer seus direitos e entender que o ‘não é não’. Muitas vezes são informações que parecem básicas, mas que fazem grande diferença na vida dessas trabalhadoras”, explicou a professora.
Ao final do curso, foi elaborado um documento orientador, construído a partir das discussões e das experiências compartilhadas pelas participantes. O material será utilizado pela organização para replicar a formação em outras empresas e instituições, ampliando a conscientização sobre os direitos das mulheres no país.
Segundo Patrícia Gorisch, o treinamento também revelou desafios relacionados à educação e ao acesso à informação, incluindo temas de saúde e conhecimento do próprio corpo feminino, muitas vezes pouco discutidos. Apesar das dificuldades, o resultado foi marcado pela emoção das participantes.
“Muitas relataram que já começaram a mudar algumas atitudes em casa, pedindo aos maridos e companheiros que dividam as tarefas domésticas. São mulheres que trabalham sob o sol nas estradas e ainda acumulam responsabilidades em casa. Falar de direitos também é falar de dignidade”, afirmou.
A expectativa agora é que a iniciativa tenha continuidade. A proposta é que, nos próximos meses, seja realizada uma nova formação voltada aos homens, com o objetivo de promover maior sensibilização sobre igualdade de gênero e contribuir para a redução de casos de violência e feminicídio.








