Clínica de Nutrição Unisanta realiza atendimento ao ultramaratonista Alexandre Sartorato

20

Após a visita do atleta, a equipe – composta por profissionais e futuros nutricionistas – acompanhará sua rotina alimentar à distância. Isso acontecerá enquanto ele percorre diversos países a pé, durante sua volta ao mundo

A Clínica de Nutrição da Universidade Santa Cecília (Unisanta) está acompanhando, de forma inovadora, o ultramaratonista Alexandre Sartorato em sua jornada de atravessar 30 países a pé, nos cinco continentes, durante 180 dias. Os profissionais e os estudantes do curso serão responsáveis por monitorar remotamente a alimentação do atleta. Sua viagem começa nas pirâmides de Gizé, no Egito, ainda neste mês.

Para garantir que tudo transcorra da melhor forma possível, Sartorato se reuniu com a coordenadora do curso de Nutrição e responsável pela clínica, Ângela Ilha, e com os estagiários da instituição na última sexta-feira (21) para uma avaliação inicial. Durante o encontro, foi conversado sobre o monitoramento e possíveis ajustes das necessidades nutricionais do atleta.

O ultramaratonista, que já completou uma volta ao mundo em 2007, está se preparando para um novo desafio: correr pelo menos duas maratonas por dia, totalizando mais de 80 km diários. Ele será acompanhado por um médico e terá seu consumo calórico e nutricional supervisionado pela equipe de nutrição da Unisanta. As informações coletadas ajudarão a avaliar a performance de Sartorato em um contexto de grande esforço físico, com base nas mudanças no seu consumo alimentar ao longo do trajeto.

Ângela explica a relevância do trabalho desenvolvido pela clínica para o atleta: “Ter a oportunidade de acompanhar um projeto com uma carga altíssima, nunca datada antes, será muito importante para entender como o corpo responde fisiologicamente e como é o consumo calórico”. Ela também comenta que o acompanhamento será de forma remota, já que a equipe de Sartorato estará em constante movimento e enfrentará diferentes condições de acesso a alimentos.

A proposta não é prescrever dietas convencionais, mas sim acompanhar o que o ultramaratonista consome ao longo dos dias, fornecendo sugestões de ajustes alimentares sempre que necessário. Essas recomendações serão baseadas nas variações de dieta encontradas em cada país visitado e nas mudanças fisiológicas que surgirem no percurso.
“Vamos entender o processo fisiológico do maratonista e como seu corpo aguenta o nível de atividade física tão intenso. E iremos dar dicas sobre as possibilidades de alimentos, de suplementos que ele pode encontrar nos locais onde passar”, acrescenta a professora Ângela.

Uma experiência prática de aprendizado para os alunos

Esse acompanhamento também oferece uma oportunidade de aprendizado para os estudantes de Nutrição da Unisanta. “Para os alunos, vai ser tudo novo. É um desafio novo”, explica a docente.

Guilherme de Noronha Mariz, estagiário da clínica, ressalta o quanto essa experiência de conhecer e auxiliar na criação de uma alimentação mais balanceada para o ultramaratonista está sendo gratificante. “É uma experiência única, que não teve nenhuma outra pessoa que fez o que ele já fez e vai fazer ainda o que ele vai fazer. Para a gente ter dados, para a gente ter estudos, é muito bom, agrega muito para nós e para a faculdade. Espero que ocorra tudo bem”.

Além do desafio físico, Sartorato enfrentará dificuldades logísticas, como a aquisição de alimentos adequados e a adaptação aos diferentes hábitos alimentares ao redor do mundo. Durante sua travessia pelo Brasil, por exemplo, ele precisou se adaptar a condições de alimentação em regiões remotas.

A vivência adquirida nessas situações será fundamental para a equipe de nutrição. “A gente usou como base a experiência que ele teve alguns anos atrás e aí dentro do que ele está pensando em fazer, na vivência e na experiência que ele já teve, vamos criar uma rotina para a alimentação”, explica a docente.

A escolha pela Clínica de Nutrição da Unisanta não foi por acaso. Sartorato afirma que, após consultar sua equipe médica, a decisão de buscar os serviços da instituição se baseou na excelente reputação acadêmica, infraestrutura moderna e corpo docente altamente qualificado. “É uma universidade bastante conceituada e o meu médico, o médico que vai acompanhar, entendeu que seria bom e fez contato com o pessoal super-receptivo. Além disso, é aqui da Baixada, como eu, que sou de Cubatão, então eu acredito que vai ser um estudo que vai engrandecer a Baixada Santista como um todo”, comenta o atleta.

O projeto do ultramaratonista vai além de um desafio físico pessoal. Ele também visa conscientizar e sensibilizar as pessoas sobre questões sociais, como o combate à fome, à miséria e ao racismo. “Eu não defendo essas bandeiras porque vi em um filme ou li em um livro, mas porque eu sei como é a dificuldade disso. A expectativa é que, ao longo dessa jornada, um grande número de pessoas que passam necessidade possa ser alcançado”, finaliza Sartorato.