Coordenadora do NPH Unisanta participa do vídeo de abertura do Fórum Santos 500+ sobre mudanças climáticas

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A pesquisadora Alexandra F. P. Sampaio, docente do curso de Engenharia da Unisanta e coordenadora do Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas da Universidade Santa Cecília (NPH/Unisanta) e da Sala de Situação da Baixada Santista, foi uma das entrevistadas no vídeo de abertura do Fórum Santos 500+, na terça-feira (24/2). O evento, realizado pelo Grupo A Tribuna em conjunto com o Governo do Estado de São Paulo, Prefeitura de Santos e BTP, promoveu discussões sobre a preparação da cidade frente aos impactos das mudanças climáticas até 2046, quando Santos completa 500 anos.

Durante o evento, o trabalho do NPH Unisanta recebeu destaque pelas principais autoridades no assunto.

Por ser uma cidade costeira, Santos tem enfrentado problemas como inundações costeiras, alagamentos de ruas, casas e garagens subterrâneas durante os eventos climáticos extremos, bem como processos erosivos na sua orla e ondas de calor cada vez mais intensas. O vídeo teve como objetivo promover reflexões para a busca de soluções frente aos cenários de intensificação dos efeitos das mudanças do clima na cidade. Nesse contexto, Alexandra ressalta: “Até 2046 ou 2050, pode ser esperado um aumento de 15 cm no nível do mar, em um cenário com aquecimento global de até um grau e meio, e superior a 15 centímetros, podendo chegar a 25cm ou até mais, em um cenário mais pessimista, com projeções de aquecimento da temperatura global acima de um grau e meio. As chuvas também mudaram, estão mais intensas e concentradas em períodos menores”.

Do ponto de vista estrutural, a docente explica por que a cidade é afetada e como a vegetação costeira era essencial para a absorção dos impactos do aumento do nível médio do mar: “Já temos como característica uma cidade com volume de chuva bastante intenso, topografia pouco favorável ao escoamento da água e o mar atuando, periodicamente, como barreira hidráulica durante as marés altas, dificultando o escoamento… A vegetação que existia naturalmente na orla e que protegia o interior da ilha deixou de existir. Essas áreas foram ocupadas e impermeabilizadas”.

A matéria conclui abordando os impactos desse fenômeno em áreas socialmente vulneráveis da Baixada Santista, que são estruturalmente mais afetadas pelo aumento do nível do mar. Alexandra destaca ainda que, além dos danos estruturais, há o agravamento das condições de saúde da população, em razão das ondas de calor intensas e do aumento da umidade do ar, potencializado pelo aquecimento dos oceanos e da atmosfera.

Sobre o NPH e a Sala de Situação de Recursos Hídricos da Baixada Santista

O Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas (NPH) é um laboratório numérico da Unisanta que reúne docentes e alunos das Faculdades de Engenharia e Biologia. Fundado em 1992, acumula mais de 30 anos de experiência e uma extensa base de dados meteoceanográficos no litoral de São Paulo.

Tem como principais parceiros a Praticagem do Estado de São Paulo, AGEM-BS, SP-Águas, AtmosMarine e as Defesas Civis do estado e da região, com destaque para a Defesa Civil de Santos, cuja parceria completa 10 anos neste ano.

Desde 2024, a Unisanta também sedia, coordena e opera a Sala de Situação de Recursos Hídricos da Baixada Santista, que integra dados de monitoramento hidrológico, meteorológico e oceanográfico, fornecendo avisos antecipados de eventos severos e extremos relacionados a ressacas, alagamentos e inundações costeiras, destacando-se por sua atuação na mitigação de riscos associados ao eventos extremos e no apoio qualificado à tomada de decisão e para o planejamento das cidades.

Para isso, conta com o apoio da AGEM – Agência Metropolitana da Baixada Santista – e parcerias com a SP-Águas e o Comitê da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista, fornecendo suporte técnico qualificado à Defesa Civil do Estado de São Paulo e às Defesas Civis da Baixada Santista.