Em apenas alguns anos após concluir a graduação em Jornalismo pela Universidade Santa Cecília (Unisanta), em 2021, Henrique Miguel construiu uma trajetória profissional marcada por desafios na comunicação pública. Atualmente, ele ocupa o cargo de coordenador-geral de Comunicação Social do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, em Brasília, onde participa diretamente da estratégia de comunicação de um dos mais novos ministérios do Governo Federal.

Da paixão pelo rádio, despertada ainda na universidade, à coordenação de equipes responsáveis pela comunicação de políticas públicas de alcance nacional, Henrique destaca que a formação na Unisanta foi determinante para desenvolver uma visão ampla da profissão e construir a base que o acompanha até hoje.

A carreira profissional começou logo após a conclusão do curso. Ainda no primeiro ano como jornalista formado, Henrique ingressou na comunicação política, inicialmente atuando como social media em Santos e, pouco depois, participando de uma campanha eleitoral na capital paulista, em 2022.”A política me abraçou logo que saí da Unisanta. No meu primeiro ano de formado, já caí de cabeça na comunicação política. Comecei em Santos como social media e, logo em seguida, fui encarar uma campanha eleitoral em São Paulo. Foi um divisor de águas. Serviu para conhecer a realidade do mercado paulistano e perder o medo de enfrentar novos desafios”, relembra.

A experiência abriu portas para uma nova etapa profissional. Em 2023, Henrique foi convidado para integrar a equipe do Ministério de Portos e Aeroportos, em Brasília, como assessor de imprensa e relações públicas. “Foi um baita desafio. A pauta de portos e aeroportos é técnica e pesada, mas foi ali que vi de perto, pela primeira vez, como as políticas públicas mudam a vida de milhões de brasileiros”, afirma.

Além da adaptação a uma nova cidade, ele precisou compreender a dinâmica da comunicação governamental na capital federal: “O mercado de Brasília é outro mundo comparado ao de São Paulo. Com essa bagagem, recebi o convite para atuar no Ministério do Empreendedorismo. Fui conquistando meu espaço no dia a dia até assumir a coordenação de comunicação e, em alguns momentos, também a chefia interina da área”.

Formação construída na prática
Durante a graduação, Henrique descobriu novas possibilidades de atuação no jornalismo. Embora tenha ingressado no curso motivado pelo rádio, os estágios realizados nas prefeituras de Praia Grande e São Vicente despertaram seu interesse pela assessoria de imprensa.

Na reta final da graduação, o Trabalho de Conclusão de Curso também contribuiu para ampliar seu repertório profissional. Orientado pela professora Wanda Schumann, produziu um videocast com entrevistas de artistas da Baixada Santista: “Ali aprendi, na prática, a conduzir entrevistas, entender como fazer o convidado render e encontrar o tom de voz que o audiovisual exige”.

Entre os professores que marcaram sua trajetória, Henrique faz questão de destacar a professora Kátia Locatelli, a quem considera uma grande mentora. “Ela me ensinou a pensar estrategicamente, compreender a repercussão de uma notícia e recalcular a rota quando necessário no assessoramento de uma autoridade, sempre com ética.”

Ele também relembra outros docentes que contribuíram para sua formação: “Não posso deixar de falar do Hélder Marques, do Luis Carlos Bezerra, da Raquel Alves, do Francisco La Scala, que me ensinou a escrever de verdade, e do Fernando Di Maria, que abriu meus olhos para o jornalismo como negócio e para a importância dos dados. Anos depois, tive o prazer de dividir eventos com ele, já não mais como estudante, mas como colega de profissão”.

Comunicação estratégica em nível nacional

À frente da Coordenadoria-Geral de Comunicação Social do Ministério do Empreendedorismo, Henrique participa da construção da identidade institucional de um órgão criado recentemente: “Cuidar da comunicação de um ministério novo é um desafio gigante. Diferentemente de ministérios tradicionais, como Saúde ou Educação, que existem há décadas e possuem uma marca consolidada, tudo o que fazemos hoje pode se tornar referência para quem vier depois”.

Sua rotina envolve planejamento estratégico, relacionamento com jornalistas dos principais veículos do país, gestão de crises, articulação institucional e participação nas decisões de comunicação do Poder Executivo: “É a maior experiência da minha vida profissional até aqui. Tenho a oportunidade de sentar à mesa com autoridades dos Três Poderes para definir como vamos comunicar as ações do governo. O dia a dia envolve planejamento, execução, relacionamento com a imprensa, gerenciamento de crises de imagem e muito jogo de cintura com parlamentares e ministros. É um trabalho extremamente dinâmico”.

Para Henrique, um dos principais fatores que impulsionaram sua carreira foi nunca se limitar a uma única função dentro da comunicação: “O grande diferencial que me abriu portas foi a transversalidade. Nunca quis ser apenas o profissional que escreve releases. Sempre busquei aprender texto, vídeo, fotografia, briefing, design e estratégia”.

Segundo ele, essa visão multidisciplinar faz toda a diferença na liderança de equipes: “Hoje consigo coordenar profissionais altamente especializados sabendo exatamente o que pedir e como orientar um fotógrafo, um videomaker, o pessoal de relações públicas ou a equipe de design”.

Entre os momentos mais marcantes da carreira, destaca a participação na organização de três eventos nacionais realizados em conjunto com equipes da Presidência da República e do Ministério da Fazenda, além da conquista de espaços em veículos de grande audiência: “Tive muito orgulho de conseguir emplacar participações em podcasts importantes, como o Inteligência Ltda., além de pautas em programas como o Jornal Nacional e o Bom Dia Brasil”.

Outro episódio que considera decisivo ocorreu nos bastidores da comunicação governamental: “Precisei redigir sozinho uma nota oficial alinhando pontos diretamente com três ministros de Estado ao mesmo tempo. O tema envolvia aumento das passagens aéreas, impacto no turismo e preço do combustível de aviação. Foi a situação em que mais suei frio na carreira, pela pressão e pelo tempo curto, mas conseguimos entregar exatamente o posicionamento que o governo precisava apresentar”.

Aos estudantes que desejam seguir carreira na comunicação pública ou institucional, Henrique reforça a importância da versatilidade e da disposição para aprender continuamente: “O principal conselho é não ficar preso à própria bolha ou apenas ao que você já faz bem. No setor público e na política convivemos diariamente com burocracias e processos complexos. Quanto mais áreas da comunicação você dominar, mais completo será como profissional e mais rapidamente poderá crescer e assumir posições de liderança”.

Finalizando, Henrique dá mais dicas aos futuros jornalistas: “No começo da carreira, não tente ser apenas uma coisa. O profissional que tem jogo de cintura e sabe fazer um pouco de tudo é quem realmente se destaca no mercado”.