A Universidade Santa Cecília (UNISANTA) teve um importante projeto de pesquisa aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), destacando-se entre os doze contemplados na chamada e sendo a única universidade particular a conquistar aprovação para iniciativas de manejo de Unidades de Conservação Marinhas.
A iniciativa deverá gerar informações fundamentais para o aprimoramento de estratégias de conservação e manejo da biodiversidade marinha brasileira, contribuindo para a proteção de ecossistemas recifais pouco estudados do litoral sul paulista.
O financiamento será destinado ao desenvolvimento do projeto “Entre Rodolitos e Corais: desvendando a ictiofauna dos recifes marginais das Ilhas Queimada Grande e Queimada Pequena, litoral sul de São Paulo”.
A pesquisa, coordenada pelo professor Dr. Miguel Petrere Junior, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental (PPG-CiTA) e docente do Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade de Ecossistemas Costeiros e Marinhos (PPG-EcoMar), contará com a participação dos pesquisadores Dr. Matheus Marcos Rotundo e Dra. Milena Ramires, docentes dos PPGs CiTA, EcoMar e Auditoria Ambiental, Portos e Governança, além da Dra. Amanda Aparecida Carminatto, que realizará estágio de pós-doutorado vinculado ao projeto, com bolsa financiada pelos próprios recursos aprovados.
Investigação de um dos recifes mais singulares do Atlântico
O estudo terá como foco os recifes marginais das Ilhas Queimada Grande e Queimada Pequena, localizados no litoral sul do estado de São Paulo. A região abriga o recife coralíneo mais austral do Oceano Atlântico e representa um ambiente singular para a conservação da biodiversidade marinha brasileira.
Embora os peixes recifais estejam entre os grupos de vertebrados mais diversos do planeta, com mais de 7 mil espécies associadas a recifes coralíneos em todo o mundo, muitos aspectos da fauna presente nesses recifes marginais ainda permanecem pouco conhecidos. A área estudada integra a Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) das Ilhas Queimada Grande e Queimada Pequena, mas carece de informações detalhadas sobre a composição das comunidades de peixes, seus padrões sazonais e sua relação com fatores ambientais.
Para ampliar o conhecimento sobre esses ecossistemas, os pesquisadores utilizarão veículos operados remotamente (ROVs), capazes de registrar imagens subaquáticas em alta definição sem interferir diretamente no ambiente natural. Com essa tecnologia, será possível avaliar a diversidade taxonômica e funcional da ictiofauna local, além de investigar variações entre períodos diurnos e noturnos e ao longo das estações do ano.
Os dados biológicos serão integrados a informações físico-químicas do ambiente, permitindo compreender melhor a resiliência desses recifes frente aos impactos das mudanças climáticas e outras pressões ambientais.
Ciência, conservação e educação ambiental
Os resultados da pesquisa deverão contribuir para o aprimoramento de estratégias de conservação e manejo da biodiversidade marinha, atendendo temas prioritários relacionados à biodiversidade, qualidade ambiental e ecologia de ecossistemas recentemente descritos.
Todo o material videográfico obtido durante os levantamentos será incorporado ao Acervo Zoológico da Unisanta, fortalecendo a coleção científica da instituição. Além disso, os dados gerados serão disponibilizados ao Sistema de Informação Ambiental do Programa BIOTA/Fapesp (Sinbiota).
Além do apoio à formação de recursos humanos, o projeto prevê a aquisição de equipamentos permanentes que serão incorporados ao patrimônio da Unisanta, fortalecendo a infraestrutura científica da instituição. Os recursos também contemplam despesas de custeio relacionadas à aluguel de embarcação e às atividades de campo necessárias para a execução das pesquisas.
O projeto também tem em seu escopo a publicação de artigos científicos, apresentações em congressos nacionais e internacionais e a produção de materiais educativos destinados a escolas, aproximando a ciência da sociedade.












