Unisanta desenvolve prótese para menina de 8 anos após câncer raro

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Projeto reúne o InovFabLab/Engenharia e a Fisioterapia da Unisanta, com acompanhamento especializado no Centro de Reabilitação de Amputados da Universidade

A Universidade Santa Cecília (Unisanta) está desenvolvendo uma prótese personalizada para Áurea Munhoz, de 8 anos, que passou pela amputação do braço direito em decorrência de um tipo raro de câncer. A iniciativa reúne profissionais do curso de Fisioterapia e do InovFabLab, laboratório de inovação vinculado ao curso de Engenharia da Universidade, em um trabalho multidisciplinar que busca contribuir para a reabilitação, a postura e a autonomia da paciente.

Acompanhada dos pais, Cássia e Carlos Ricardo, e da irmã gêmea Ayla, Áurea visitou, na última quinta-feira (29), as instalações da Universidade, incluindo o InovFabLab e as clínicas de Fisioterapia e Odontologia. O encontro permitiu que a família conhecesse a estrutura disponível e conversasse com os profissionais responsáveis pelo acompanhamento do caso, além de participar de uma das etapas de avaliação para o desenvolvimento do equipamento.

A parceria teve início em agosto, quando Áurea foi recebida pelo Dr. Marcelo Teixeira, presidente do Conselho de Administração da Unisanta. Na ocasião, foi viabilizada a colaboração entre as áreas da Saúde e Engenharia para a elaboração de uma prótese que considere as características físicas e as necessidades específicas da paciente. Ela também contará com atendimento no Centro de Referência a Amputados da Universidade, serviço especializado que funciona desde 2001 na Clínica de Fisioterapia da instituição.

Cássia destacou a impressão causada pela estrutura da Universidade e a importância do atendimento oferecido pela Fisioterapia. “A gente está maravilhada com toda a estrutura. De fato, não conhecíamos. Acho que, para a Áurea, assim como para outras pessoas que já fazem tratamento aqui, vai ser ótimo”, afirmou.

Tumor raro – Áurea foi diagnosticada com PEComa, um tumor raro que acomete principalmente adultos e apresenta poucos registros na população infantil. Segundo a mãe, o caso chamou a atenção da equipe médica que a acompanha. ” Ela fez todo o tratamento no Hospital GRAACC e é o primeiro caso de PEComa em 25 anos de medicina do médico que a atendeu”, relatou Cássia.

O processo começou em março de 2025 e, em 20 de julho de 2026, a menina passou pela amputação do braço direito. A família explicou que, mesmo após a última sessão de radioterapia, Áurea continua em acompanhamento médico e faz uso diário de quimioterapia oral em casa.

Atendimento especializado – O trabalho desenvolvido pelo curso de Fisioterapia contempla diferentes etapas, que vão além da adaptação à prótese. A amputação de Áurea apresenta características específicas, pois envolveu a retirada de uma parte extensa do membro superior, em um procedimento denominado desarticulação escapulotorácica.

De acordo com o professor Vinicius de Moura Pellatiero, responsável pelo Centro de Referência a Amputados, a complexidade do caso exige um planejamento individualizado. “A amputação dela é uma mutilação de difícil acesso, porque o segmento corporal inteiro é uma desarticulação chamada desarticulação escapulotorácica. Então, foi retirado muito do segmento corporal dela”, explicou.

O professor destacou que o atendimento será realizado progressivamente, respeitando as necessidades de Áurea em cada fase da reabilitação. “A ideia é passar por várias etapas de atendimento, desde um preparo do coto residual, que é a estrutura que sobrou na região da cintura escapular. Vamos trabalhar a sensibilidade, reduzir os quadros de dor e as possíveis dores fantasmas, além de desenvolver a dinâmica de movimentação”, afirmou.

Outro aspecto importante será o trabalho conjunto com a equipe de Engenharia para buscar a simetria corporal. Inicialmente, a proposta é utilizar uma prótese passiva, voltada principalmente ao controle postural e ao equilíbrio do corpo. A partir dos resultados e da adaptação da paciente, poderão ser estudadas novas possibilidades de desenvolvimento tecnológico.

“Vamos trabalhar a simetria corporal utilizando uma prótese inicialmente passiva, que é voltada ao controle postural. Depois, vamos progredir, evoluindo no desenvolvimento de equipamentos protéticos para favorecer a postura e o desenvolvimento da autonomia da Áurea”, acrescentou o professor.

Tecnologia e inovação a serviço da saúde

No InovFabLab, a equipe de Engenharia trabalha no desenvolvimento de uma solução que alie conforto, funcionalidade e adequação às características físicas da menina. O projeto está na fase de estudos e medições, com a análise das recomendações dos profissionais de saúde e das necessidades identificadas durante as avaliações.

Segundo Sergio Schina, gerente do InovFabLab, o desenvolvimento será realizado por etapas, com avaliações constantes e participação da própria Áurea no processo de adaptação. “O próximo passo é fazermos as recomendações dos professores da área de Saúde para que, na próxima reunião, possamos chegar a um novo modelo adaptado, já considerando também o feedback da Áurea. Assim, poderemos caminhar passo a passo”, explicou.

A equipe pretende estudar diferentes possibilidades tecnológicas para ampliar os recursos oferecidos pelo equipamento. “A ideia é chegarmos ao máximo que pudermos, talvez com acionamento muscular, um sistema elétrico, buscando oferecer o máximo de conforto, que é o principal objetivo para a Áurea. Queremos também que esse projeto seja um pontapé inicial para dar acesso a pessoas que tenham a mesma necessidade”, destacou Schina.

O desenvolvimento considera não apenas a aparência da prótese, mas principalmente sua contribuição para a postura e para a realização de atividades cotidianas. A intenção é que o equipamento possa acompanhar o crescimento e as necessidades da menina, com possibilidades de aprimoramento conforme a evolução do tratamento e da reabilitação.

Para a família, a oportunidade de contar com o acompanhamento especializado e participar do desenvolvimento de uma prótese personalizada representa uma perspectiva positiva diante dos desafios enfrentados desde o diagnóstico. “A gente fica sempre tentando auxiliar, mas a Áurea, por si só, também tem feito muitas coisas sozinha. A fisioterapia e a prótese vão ajudá-la a ser um pouquinho mais independente, a conseguir fazer as coisas por ela mesma”, disse a mãe, Cássia.

O pai, Carlos Ricardo Munhoz, também demonstrou gratidão pela oportunidade e pelo acolhimento recebido na Universidade. Para ele, saber que existem profissionais dispostos a compreender as necessidades da filha e buscar soluções representa um incentivo importante para toda a família. “A gente fica feliz por saber que tem pessoas dispostas a ajudar e a dar uma condição melhor para a minha filha. Não é só uma questão estética, é também para que ela esteja feliz. Você chega a um ambiente onde se sente à vontade, onde as pessoas querem te abraçar e ajudar. E aqui na Santa Cecília a gente foi abraçado. As pessoas entenderam a nossa situação, a situação da minha filha e a necessidade dela”, declarou.

Carlos falou ainda sobre os sentimentos vivenciados pela família desde a amputação e sobre a expectativa de proporcionar à filha mais possibilidades no dia a dia. Segundo ele, a prótese que Áurea utiliza atualmente tem finalidade estética e ainda não oferece recursos funcionais. Por isso, o desenvolvimento de um equipamento que possa ampliar suas possibilidades representa uma esperança para o futuro.

“Você vê uma criança super bem, com os dois braços, e, de repente, ela passa por uma amputação. É uma sensação difícil de explicar. Mas ver minha filha sorrir é o que importa. Ver ela feliz. Eu, minha filha, minha esposa e toda a família estamos muito felizes e gratos”, afirmou.

A própria Áurea também contou sobre suas expectativas em relação ao novo equipamento. “Eu acho que, quando for usar a prótese, vai melhorar a minha postura, porque, quando eu sento, me sinto muito torta”, contou. Questionada sobre a possibilidade de se sentir mais independente, respondeu: “Eu acho que vou. Eu me sinto melhor com a prótese, acho que ela ajuda”. Ao falar sobre o que mais deseja fazer com o novo equipamento, Áurea não teve dúvidas: “Brincar com ela”.

Confira matéria dos programa Bom dia Cidades! 

 

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