O curta-metragem de Matheus Antunes Duarte foi escolhido pelo júri como Melhor Filme na categoria Mostra Universitária Regional.
Inscrever o curta-metragem “Mono No Aware” em um festival de cinema foi quase um gesto despretensioso. O que Matheus Antunes Duarte, aluno do primeiro ano de Publicidade e Propaganda da Universidade Santa Cecília (Unisanta), não esperava era ver a obra consagrada como Melhor Filme na categoria Mostra Universitária Regional do 12º Santos Film Fest, realizado em agosto de 2026.
Ter uma produção selecionada em um dos festivais mais tradicionais da Baixada Santista já seria motivo de sobra para comemorar. Vê-la conquistar o principal troféu do júri e alcançar diferentes públicos foi algo excepcional.
Para o estudante, prêmios funcionam como propulsores e confirmam o poder da comunicação. “O reconhecimento no Santos Film Fest me permitiu enxergar ainda mais claramente o quanto uma mensagem bem pensada e uma identidade bem construída podem criar conexões com as pessoas”, destaca Matheus.
Ele pretende levar essa premissa para sua carreira, seja na publicidade ou no cinema. “Sempre buscar verdade na maneira de contar histórias. Para mim, isso é um sinal de que, em algum momento, a história atravessou alguém. Essa é a maior conquista”.
O curta-metragem traz no próprio título sua essência. Inspirado no conceito filosófico japonês que expressa a percepção da impermanência e da passagem das coisas, o filme resgata a linguagem do cinema mudo, apostando no ritmo, na construção da atmosfera e na expressão corporal dos atores para aprimorar a experiência cinematográfica do espectador.
De acordo com Matheus, a produção abre possibilidades de leituras que ultrapassam diferentes contextos culturais, encontrando uma identificação com o público brasileiro em relação à ideia de saudade.
“A obra busca colocar o espectador como protagonista da narrativa, através de uma experiência sensorial que reúne questões existenciais universais, como memória, identidade e a transitoriedade da vida. A intenção é que, ao terminar de assistir, a pessoa sinta que foi atravessada por alguma coisa — talvez sem conseguir compreendê-la completamente, mas percebendo que algo mudou, mesmo que não saiba exatamente o quê”, conclui o jovem.
Além de Matheus, outra estudante fez parte da produção: Giullia Serradas, que é bailarina, atriz e está no último ano do curso. Segundo o diretor, o convite para integrar a película partiu da conexão artística que ambos compartilham e da visão que ele pretendia imprimir no projeto.
“Conheço a Giullia há algum tempo e vinha acompanhando seu talento através das redes sociais. Sempre fui influenciado pela arte de inúmeras formas, e ver aquela maneira quase onírica de dominar o corpo como uma ferramenta de expressão me chamou a atenção. Era exatamente aquele tipo de movimento que eu havia idealizado para o enredo”, revela Matheus.
Luz, câmera, ação: produzindo “Mono No Aware”
O que hoje celebra a vitória em um festival regional começou, na verdade, dentro da sala de aula. O projeto nasceu a partir de um exercício na disciplina Oficina de Ideias, do curso de Publicidade e Propaganda da Unisanta, sob a orientação do docente Me. Eriberto Oliveira.
A atividade acadêmica, que tem entre seus objetivos o desenvolvimento da criatividade, foi o pontapé inicial para tirar a ideia do papel e transformá-la em realidade. A proposta foi a realização de um trabalho com o tema “Saudade”, desafiando os estudantes a traduzirem o conceito por meio de um vídeo curto.
De acordo com Eriberto, o curta-metragem de Matheus foi um dos destaques da turma, conquistando nota máxima pela qualidade e originalidade. “Fiquei muito feliz com a conquista dele. Ver uma ideia desenvolvida na disciplina alcançar esse reconhecimento demonstra o potencial criativo dos nossos alunos”, ressalta o docente.
“Gosto de começar dizendo o quão especial é a forma como o professor Eriberto conduz as aulas. Através da sua didática, ele abriu caminhos para enxergar a criatividade como algo transversal. Paramos de encará-la apenas como ferramenta para um exercício e a levamos para além das fronteiras da Universidade. Foi esse olhar que me permitiu explorar o curta de maneira multidisciplinar, e isso fez toda a diferença”, reconhece o estudante.
Ele relembra que uma das primeiras inspirações surgiu nas escadarias do Bloco M da instituição. “Eu observava aquelas paredes repletas de manifestações artísticas enquanto ouvia “Coming Up Roses”, do Harry Styles. Aquela música acabou se tornando a principal referência sonora do filme, que começou a tomar forma dentro da própria Unisanta”, conta.
Do papel para a prática, no entanto, o planejamento exigiu improviso. Com locações externas, storyboard e direção definidos, a produção adotou o lema “temos um celular e um sonho”, produzindo o curta com recursos próprios. A autenticidade incluiu até peças de figurino garimpadas no acervo pessoal dos avós de Matheus, agregando valor afetivo às cenas.
No set, o futuro publicitário precisou se desdobrar entre a direção, a atuação e, em diversos momentos, a própria operação da câmera. O empenho coletivo, no entanto, foi fundamental para o sucesso do projeto.
O elenco ganhou a contribuição do ator e escritor Marcos Martinz, que trouxe sua vivência artística para a produção. A construção do curta contou também com a parceria da estudante Kessia Ferri, dupla criativa de Matheus na disciplina.
Mesmo conciliando o projeto com a rotina de trabalho em São Paulo, Kessia atuou na revisão do roteiro de forma remota e deu suporte na assistência de direção nos encontros presenciais na Unisanta.
“Foi a primeira vez que me vi literalmente tirando uma obra do papel. É emocionante olhar para o resultado e saber que ele só se tornou viável pela colaboração de muita gente”, celebra o diretor.
Próximos voos para “Mono No Aware”
E quais serão os próximos passos do curta-metragem? Matheus explica que os planos futuros são ambiciosos e englobam até projeções internacionais. “Atualmente, o curta está em processo de inscrição para o Curta Santos, que ocorre agora em novembro, e para o Festival IndieLisboa 2027, em Portugal”, finaliza.
Assista abaixo à obra vencedora de Melhor Filme na categoria Mostra Universitária Regional do 12º Santos Film Fest:







