Pela primeira vez, a Unisanta disputará a competição automobilística internacional, que conta com etapas no Brasil e nos Estados Unidos.

Participar da Fórmula SAE, uma das principais competições estudantis de engenharia do mundo, é o objetivo de três alunos e um colaborador da Universidade Santa Cecília (Unisanta). Para impulsionar esse sonho, o grupo desenvolveu um simulador de corrida interativo que utiliza o mesmo software realista adotado por pilotos de Fórmula 1 em seus treinamentos.

A iniciativa visa aproximar a comunidade acadêmica do universo do automobilismo, viabilizar o projeto e ser uma vitrine para o desenvolvimento do protótipo que será utilizado no evento. A Fórmula SAE é uma competição universitária internacional na qual estudantes projetam e constroem um carro do tipo Fórmula, colocando em prática conhecimentos de engenharia, gestão e trabalho em equipe.

Os times são avaliados em diferentes provas que envolvem desempenho, eficiência e planejamento. Os dois grupos com melhor classificação ganham o direito de representar o Brasil na etapa realizada nos Estados Unidos.

A primeira fase reúne cerca de 50 universidades brasileiras e está prevista para ocorrer entre os meses de setembro e outubro de 2027, em São Paulo.

O grupo participante é formado pelos estudantes Pedro Henrique de Oliveira Caribé e Ana Karoliny Praseres dos Santos (Engenharia Mecânica); Ana Luiza Adinolfi (Engenharia de Produção); e pelo designer gráfico e técnico do Laboratório de Inovação da Unisanta (InovFabLab), Antônio de Oliveira Teixeira da Mota. Juntos, eles atuam em todas as etapas da construção do veículo, desde o planejamento estrutural até os testes de desempenho.

“O carro foi projetado do zero, a partir de medidas específicas do livro de regras da competição. Nele, constam muitas coisas que o carro tem que ter, como largura e comprimento máximos, peso e ângulos entre a barra superior, a barra frontal e a cabeça do piloto. Nós conseguimos projetar a primeira versão do chassi”, explica Pedro Henrique, um dos integrantes da equipe.

O protótipo físico foi construído para obter uma demonstração visual da base do carro Fórmula. Segundo o estudante, o modelo foi desenvolvido em dois meses, com peças criadas nos laboratórios da instituição.

“O modelamento foi a parte mais difícil, durou um mês e meio. Com ele pronto, conseguimos estimar quanto gastaria de tubo. E aí foram mais duas ou três semanas de impressão 3D no InovFabLab para fazer cada conexão e, finalmente, montar tudo”, relembra.

Para o Prof. Dr. Carlos Alberto Amaral Moino, coordenador dos cursos de Engenharia Mecânica e de Produção, o incentivo a essas competições é essencial para os alunos validarem suas competências adquiridas durante os cursos. “Como participam universidades de todo o Brasil, os alunos conseguem ter um parâmetro e isso é muito bom para eles”, diz.

Para o desenvolvimento do protótipo, o coordenador explica que diversos aprendizados são obtidos ao longo do processo, além de colocar em prática o que apenas estudam na teoria.

“Você ser capaz de ter uma ideia, colocar no papel e construir envolve muito cálculo e quase todas as disciplinas do curso. Então, é um preparo para a vida profissional, com um desafio que realmente é empolgante para eles”, reflete o coordenador.

Do virtual para as pistas: o simulador da Fórmula 1

A proposta do simulador, localizado no campus da instituição, é ser uma experiência imersiva que proporciona ao público uma sensação muito próxima à de um piloto em competição.

Para isso, os integrantes utilizam o IRacing, o software mais realista da atualidade e o preferido pelos pilotos de Fórmula 1 para treinar entre os Grandes Prêmios mundiais. “Se você entrar no placar global do jogo, vai ver tempos do Max Verstappen e de outros pilotos que utilizam o simulador para corrida”, explica Pedro.

Para trazer ainda mais realidade, o simulador conta com um sistema de vibração no banco para reproduzir o funcionamento do motor, além de tecnologia de força responsiva no volante (force feedback). A estrutura foi concebida pelos alunos, desde o desenho inicial em 1D até a concepção do produto.

Os interessados em testar suas habilidades e ajudar o projeto podem ir até o pátio M1 (em frente ao Memorial Santa Cecília e ao InovFabLab). O investimento é de R$ 5,00 para correr por 5 minutos ou três voltas completas.

De acordo com o coordenador, a iniciativa foi certeira. “O simulador foi uma ideia muito criativa, eles estão bem empolgados e encontraram uma maneira para começar a gerar recursos”.

Para transformar o projeto em um carro real e competitivo na pista, a equipe está em busca de patrocinadores e empresas apoiadoras que possam auxiliar na viabilização de insumos, custos de produção e materiais.

Moino lembra que os benefícios para as marcas parceiras são inúmeros. “O apoio a uma atividade acadêmica pode fazer parte das ações sociais das empresas. Além disso, a Unisanta tem muita visibilidade e um grande número de pessoas que circulam pela universidade. O patrocínio vai estar exposto no veículo, além de estar na competição internacional”.

O time da Fórmula SAE da Unisanta realizará em breve um processo seletivo para novos membros. Estudantes de diferentes áreas podem participar e agregar ainda mais perspectivas e competências à equipe. “O grupo conta atualmente com quatro pessoas. Qualquer pessoa que tenha interesse e disponibilidade pode se inscrever, seja da Comunicação, Arquitetura, Administração ou de qualquer outro curso”, finaliza Pedro.