Serviços nas áreas de Fisioterapia, Psicologia e Educação Física incluem acompanhamento gestacional, suporte emocional e prescrição de exercícios físicos.
Cuidar da saúde física, emocional e da qualidade de vida das mulheres é uma das frentes de atuação desenvolvidas dentro da Universidade Santa Cecília (Unisanta). Por meio de projetos, ações e atendimentos especializados, os cursos de Fisioterapia, Psicologia e Educação Física oferecem acolhimento, orientação e serviços que promovem os hábitos saudáveis
Os atendimentos são realizados por alunos sob a supervisão de docentes e buscam ampliar o acesso a cuidados, ainda pouco disponíveis gratuitamente na região.
Fisioterapia: tratamento em todas as fases da vida
O curso de Fisioterapia desenvolve atendimentos com foco na prevenção, avaliação e tratamento de condições que podem surgir ao longo da vida da mulher, incluindo gestação, pós-parto e menopausa.
Entre as principais demandas atendidas estão casos de câncer de mama, endometriose, fibromialgia e disfunções do assoalho pélvico, como vaginismo, dispareunia e dor pélvica crônica, além de condições relacionadas à obstetrícia, oncologia e alterações intestinais.
Segundo a docente Ma. Alessandra Fernandes Loureiro Orefice, responsável pelos atendimentos, a iniciativa surgiu a partir da crescente demanda da sociedade por atendimentos especializados em fisioterapia na saúde da mulher, área pouco contemplada gratuitamente na região.
Na Clínica de Fisioterapia da Unisanta, cada paciente passa por avaliação individualizada e completa, que orienta a elaboração de um plano de tratamento específico. Esse processo é conduzido de forma conjunta entre estudantes do terceiro ano, com supervisão direta de professores.
De acordo com Alessandra, o acolhimento é um dos diferenciais do serviço. “Na Unisanta oferecemos um tratamento focado na queixa que a paciente está trazendo, de forma muito acolhedora e respeitosa. E isso é um feedback que todos os nossos pacientes falam, do nosso respeito e do nosso carinho. É um grande diferencial”, explica.
A Clínica possui uma estrutura que contribui para a qualidade do serviço, com salas adequadas, climatizadas e equipadas para os diferentes tipos de tratamento. Além disso, há a integração com outros cursos da universidade, como Psicologia e Nutrição, possibilitando um cuidado mais amplo e completo.
“A gente preza a qualidade de vida da mulher. Enquanto ela efetivamente não estiver reabilitada, não estiver 100% pronta para ter alta, independentemente do tempo, a paciente não tem alta. Tem um olhar muito integrado, por isso que o ambulatório conta também com o apoio de outros cursos, porque caminham todos juntos”, afirma a docente.
Preciso de atendimento, como proceder?
O atendimento é destinado a mulheres e deve ser realizado mediante encaminhamento médico. Para ter acesso ao serviço, é necessário entrar em contato com a clínica de Fisioterapia, através do telefone (13) 3202-7156, realizar o cadastro com dados pessoais e aguardar a disponibilidade de vagas, A partir disso, as pacientes são chamadas conforme demanda e a lista de espera.
Atuação em hospital e unidade básica de saúde
Além da Clínica da Unisanta, os atendimentos de Fisioterapia em Saúde da Mulher acontecem em outros espaços da rede pública. No Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, estudantes acompanham gestantes de alto risco, mulheres em trabalho de parto e no período pós-parto. Entre as ações está a chamada “Oficina do Parto”.
“É uma metodologia ativa para o casal. Escutamos e orientamos de acordo com a necessidade e o entendimento de cada um. Dessa forma, conseguimos diminuir as chances de parto cesárea e complicações materno- fetais”, explica a Profa. Dra. Claudia de Oliveira, profissional à frente dos atendimentos.
Outro projeto, considerado pioneiro na região, ocorre na Unidade Básica de Saúde (UBS) Martins Fontes, em parceria com a Prefeitura de Santos, desde 2011. No local, os atendimentos incluem grupos de preparação para o parto e acompanhamento no puerpério, com foco em reeducação postural e no tratamento de disfunções do assoalho pélvico, como a incontinência urinária.
Ao participarem dos grupos de preparação para o parto, as gestantes têm acesso a informações sobre todas as etapas da gravidez, trabalho de parto e pós-parto, além de receberem orientações sobre amamentação e cuidados com o corpo.
Quando participar?
A recomendação é que o acompanhamento comece, preferencialmente, ainda no primeiro trimestre da gestação, embora o serviço esteja disponível em qualquer fase gestacional, garantindo suporte contínuo às necessidades de cada paciente.
Psicologia: espaço coletivo de escuta e acolhimento
Na área de saúde mental, a Unisanta mantém o Grupo Delas, projeto do curso de Psicologia da instituição, que promove o acolhimento emocional, a escuta qualificada e o fortalecimento da autonomia feminina.
“As mulheres encontram acolhimento em um espaço onde possam se expressar livremente sem julgamentos, com o objetivo de abordar temas como autoestima, autonomia, feminilidade e questões vinculadas à vivência da mulher”, afirma Denise Marques Alexandre, docente responsável pelo projeto.
Um espaço de todas, para todas
Diferentemente do atendimento psicológico individual, o grupo funciona de forma coletiva, incentivando a troca entre as participantes, o apoio mútuo e a construção conjunta de caminhos para o enfrentamento das dificuldades.
Entre os principais benefícios estão o fortalecimento emocional, o desenvolvimento do sentimento de pertencimento e o acesso a novas perspectivas sobre questões pessoais e sociais. Outro aspecto importante é a abordagem de temas relacionados aos direitos das mulheres, contribuindo para a conscientização das participantes, especialmente em contextos marcados por desigualdades e situações de vulnerabilidade.
Preciso de atendimento, como proceder?
O Grupo Delas é destinado a mulheres a partir de 18 anos que buscam um espaço de escuta e acolhimento. O acesso é simples e não exige encaminhamento ou agendamento prévio: basta comparecer à universidade, às terças-feiras, e procurar pelo grupo na recepção.
Lafes: exercício com foco na fisiologia feminina
O Laboratório de Fisiologia do Exercício e Saúde (Lafes), do curso de Educação Física (Fefesp), também oferece atendimento voltado ao público feminino. Com base na individualização e o respeito às características fisiológicas da mulher, a paciente passa por uma avaliação física inicial e a prescrição de exercícios.
No Lafes, são oferecidas avaliações de composição corporal e de circunferências específicas, aliadas a questionários que consideram aspectos fundamentais, como ciclo menstrual, menopausa e outras condições hormonais, fatores determinantes para um planejamento eficaz de treinamento.
Como acontecem os atendimentos?
Débora Rocco, pesquisadora do Lafes e docente dos cursos de Psicologia, Nutrição e Educação Física da Unisanta, explica que, logo na chegada, o fluxo de atendimento segue padrão semelhante ao do público masculino, mas com etapas diferenciadas realizadas em ambientes específicos, garantindo maior conforto e precisão nas análises.
“Existem diferenças muito grandes no treinamento entre homens e mulheres, porque a composição do corpo da mulher é diferente da do homem. A mulher tem que levar em conta que a intensidade é diferente, o cansaço é atingido em momentos diferentes, a mulher tem menos potência do que o homem, tudo isso a gente tem que levar em conta e também tem uma questão muito importante que é a dos hormônios femininos”, explica.
Segundo ela, é necessário considerar o ciclo menstrual, como a mulher está se sentindo ou se ela está passando por outras transições hormonais, como a perimenopausa e a menopausa. “O treinamento físico pode promover melhoras nesses sintomas, mas tem que ser direcionado para elas e respeitando toda essa fisiologia”, enfatiza.
O Lafes promove atendimentos para todas as fases da vida da mulher, como gestação e pós-parto. Durante a gravidez, por exemplo, a prática orientada de exercícios contribui para a prevenção de complicações como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia. Já no pós-parto, a retomada gradual das atividades ajuda na recuperação do corpo.
“A gestação é um período extremamente delicado, mas que a mulher não só pode, como deve fazer exercício. Ficar parada pode trazer malefícios tanto para a mãe quanto para o bebê, então é importante que ela mantenha um peso saudável e uma rotina de exercícios saudáveis. E, no pós-parto, deve fazer exercício físico, respeitando o tipo de parto. A mulher se sentindo bem, ela pode voltar com esforços de baixa intensidade, para voltar às funções do corpo normalmente”, salienta.
Débora ainda lembra que o importante é o movimento. “A mulher que fica muito parada no pós-parto, ela tem mais tendência a sentir dores na coluna lombar, na região pélvica. Então, o exercício pode favorecer todas essas questões. Quem fica muito parada perde massa muscular, que é o nosso tecido metabolicamente ativo. Então, não é interessante que a mulher fique parada no pós-parto”.
O principal fator para um cuidado eficaz em todos os casos é a avaliação prévia com acompanhamento profissional. Sem a orientação, há o risco de prescrição inadequada e de agravamento de condições de saúde, comprometendo os benefícios esperados da prática.
O treinamento orientado torna-se uma ferramenta importante de prevenção, atuando em questões como perda de massa óssea e muscular, alterações no colesterol e outras condições mais recorrentes entre mulheres.
Preciso de atendimento, como proceder?
O Lafes atende todas as mulheres interessadas em iniciar ou aprimorar sua rotina de exercícios, oferecendo tanto avaliações quanto participação em programas de condicionamento físico com prescrição individualizada. Os atendimentos ocorrem às terças e quintas-feiras, no Ginásio Poliesportivo da Unisanta.
Não é necessário encaminhamento médico para acessar o serviço. O agendamento pode ser feito diretamente no Instagram do Ambulatório (@lafes.condfisico), onde a equipe orienta sobre os próximos passos para a pré-avaliação.