Formado em Engenharia Civil, Leonardo Sueiro passou em seis concursos públicos em seis meses

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Entre as aprovações mais expressivas de Leonardo estão o 1º lugar no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o 2º  na prefeitura de São Bernardo do Campo, entre 4 mil candidatos.  Motivação e foco nas questões apresentadas são alguns dos recursos utilizados pelo engenheiro, para explicar seu sucesso.

Com apenas 25 anos, e formado em 2017 (colou grau em 2018), o engenheiro recém-formado Leonardo Sueiro conseguiu a façanha de ser aprovado em seis concursos públicos nos últimos seis meses.  Em São Bernardo do Campo, eram quase 500 candidatos por vaga para ingresso no quadro de engenheiros. Leonardo ficou em segundo lugar.

Ele explica que essa relação candidato/vaga no concurso de São Bernardo é maior do que a existente em vários concursos tipicamente concorridos, como os feitos para delegado da Polícia Federal (159 por vaga) e escrivão da Polícia federal (211 inscritos por vaga), afirma o jovem diplomado pela Engenharia Civil da Universidade Santa Cecília (Unisanta).

Leonardo Sueiro ainda não decidiu qual trabalho vai escolher. Além do primeiro lugar no Iphan (SP), passou no concurso de Araucária (PR), onde havia mil 1000 candidatos para 4 vagas, e ficou em terceiro lugar. Obteve também o primeiro lugar no concurso de Barra do Turvo (SP) e o terceiro lugar em Indaiatuba (SP).

Estudos

Ele afirma que há dois pilares que norteiam seus estudos: o foco nas questões propostas e tornar o estudo um hábito por meio da alimentação periódica de sua motivação. “O primeiro pilar eu utilizo não apenas para estudar para as provas, mas para melhorar a performance em qualquer atividade. Então, por exemplo, se eu estiver trabalhando em um projeto do ramo da tecnologia, iria estudar sobre o tema ´tecnologia` através de livros e normas, mas com foco em questões”.

Para Leonardo Sueiro, a leitura por si só não solidifica o conhecimento, sobretudo “porque lemos as coisas com vieses obtidos de conhecimentos anteriores, não necessariamente corretos e algumas vezes conflitantes”.

“Nosso cérebro faz associações de conceitos para tentar padronizar nosso raciocínio, uma herança pré-histórica útil no passado das savanas mas que nem sempre é positiva nos dias atuais. E muitos examinadores, sabendo disso, usam esse defeito para criarem questões cujos enunciados induzam o candidato a usar um conhecimento mais genérico e incorreto. Ao focar nas questões, filtramos nossa interpretação do conteúdo”.

“Uma outra forma de consolidar o conhecimento a priori é estudar por fontes diferentes, para tornar a assimilação mais flexível”, acrescenta.

“Algo lúdico”

Para explicar o emprego da motivação, Leonardo diz que tentou “tornar o estudo algo lúdico, manipulando minha relação com o que eu estou estudando, de forma a me convencer da importância do assunto, por menor que aparenta ser a princípio”.

“Tento olhar para ele vislumbrando uma relevante fonte de conhecimento para minha vida, não apenas para uma prova específica. Isso me ajudou bastante, embora ache que, diferente do primeiro pilar, não seja uma técnica que possa ser generalizada”.

“A motivação é algo muito idiossincrática, ou seja, depende de particularidades individuais. O fundamental é reconhecer sua importância. A técnica, a despeito do que dizem muitos livros de autoajuda, deve ser construída individualmente, com o hábito do estudo”.

Autodidata

Outra característica de Leonardo Sueiro é ter feito parte dos estudos como autodidata. Abandonou a escola tradicional na oitava série, “enviesado pelos conselhos pedagógicos de um texto de Ivan Illich”. Ele se refere  ao pensador austríaco Ivan Illich, que fez análises críticas de instituições educacionais (1926=2002).

“Percebi a importância de um estudo mais diversificado, que não encontraria no método tradicional do ensino primário brasileiro. No ensino superior, já possuímos uma boa padronização de conteúdo. No básico, entretanto, há uma grande defasagem de qualidade. Resolvi, então, tornar-me autodidata para que eu pudesse ampliar meus conhecimentos gerais e construir meu próprio conteúdo programático. Obtive meu diploma do Ensino Médio por meio do ENEM, passei em uma faculdade pública e consegui bolsa integral na Unisanta por meio do ProUNI. Escolhi deliberadamente a Unisanta por, dentre outros motivos, gostar da cidade onde nasci”.

Professores destacados

Ele destaca alguns nomes do corpo docente da Unisanta, que foram “importantíssimos para minha evolução intelectual e profissional. Em primeiro lugar, agradeço muito ao professor e amigo Sérgio Rozada, professor de Cálculo, por todos os conselhos e conversas. Tornou-se um grande amigo pessoal e alguém por quem nutro profunda admiração e respeito, tanto como professor quanto como pessoa. Agradeço também ao professor Orlando Damin, por ter me ajudado a descobrir, através de seu notório conhecimento e qualidade como professor, a área dentro da profissão na qual quero atuar”.

Outros professores que se tornaram referência para Leonardo Sueiro, contribuindo para aumentar sua vontade de ser professor: Francisco de Assis Correa, Luis Fernando Ferrara, Cláudia Rodrigues, João Guedes, Débora Losso e Átila Csobi.