Projetos de melhorias de habitação de baixa renda são apresentados por alunos de Design de Interiores e de Arquitetura

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por Kelvyn Henrique

Famílias envolvidas nos projetos receberam os desenhos impressos e planilhas de custos ao final das apresentações. Agradeceram, com elogios.

“Ter uma casa que você ache bonita é bom para todos, independentemente de classe social”, afirmou Cristina Ribas, arquiteta e professora dos cursos de Design de interiores e de Arquitetura da Universidade Santa Cecília (Unisanta), em apresentação dos alunos do terceiro semestre do curso, na sexta-feira (15/6, no quinto andar do bloco M.Os alunos se dividiram em sete grupos (entre duplas e trios) e apresentaram projetos de melhorias das residências. Foram escolhidas famílias com poucas condições financeiras, para desafiar os alunos e mostrar que não são apenas pessoas de grande poder aquisitivo que podem ter uma casa decorada.

Outro requisito era justamente serem famílias com casas que tinham algum problema a ser resolvido, explica a professora do curso. “Um bom profissional trabalha com muito dinheiro e também com o mínimo disponível. Com este projeto, quero mostrar que os arquitetos e designers de interiores podem ajudar famílias a ter uma condição de vida melhor e gastar menos em reformas”, esclareceu Cristina.
Desafios

O estudante Matheus Avoli, que se apresentou com as colegas Luana e Gabriela, falou sobre os desafios enfrentados pelo grupo. “Fazer um projeto econômico e lidar com um cliente, do mesmo modo que um profissional formado, atendendo a seus pedidos e com baixo custo, foram grandes desafios”, contou Matheus.

A dupla Edimilson Muniz Júnior e Marina Castro também teve que superar desafios em seu projeto. “A família tinha um ambiente em construção, no qual pretendiam fazer a cozinha, que atualmente está ligada à sala. Ao tirarmos a cozinha da sala, esta acabou ficando comprida e tivemos a ideia de criar um espaço de estudos para as filhas adolescentes”, esclarece Edimilson. Outro ponto a ser resolvido foi a presença de uma coluna, relembra Muniz Júnior. “É algo estrutural e não tem como remover, então optamos por pintá-la com uma tinta de lousa e deixar para as crianças poderem desenhar. O marido da nossa cliente, que gosta de cozinhar, pode fazer anotações durante o preparo das receitas”, disse.

Conciliar a vontade de inovar e respeitar os gostos das famílias também foi algo importante com o qual os alunos tiveram que lidar. “A dona da casa não gostava muito de armários brancos e explicamos que esse tipo de armário tem um custo menor, mas ela optou por armários amadeirados. Mas ela nos deixou bem livres durante todo o projeto”, contou Marina.

O contato com os clientes foi uma experiência marcante para os alunos, como conta Marina. “Foi a primeira vez que apresentamos um projeto para clientes, é diferente de apresentar para a professora. Tomamos cuidado com as palavras, para que ninguém se sinta ofendido. Conseguir mostrar fotos da casa anteriormente também é complicado, porque as vezes as pessoas têm vergonha. No geral eu fiquei bem feliz e satisfeita com o resultado! ”, afirmou a estudante.

As famílias receberam os desenhos impressos e planilhas com os custos estimados para executar as mudanças em etapas, conforme a disponibilidade financeira. Entre os moradores estava Reginaldo, sogro de Edimilson, que aprovou as mudanças propostas pela dupla. “Pretendo colocar o projeto em prática! Ficou tudo muito bom e mais do que o esperado”.